Tem uma sensação gostosa de poder que se infiltra pelas frestas da alma quando se caminha por ruas desertas... É algo como ser um navio e poder voar.
Dá para abraçar melhor o mundo quando ele está quieto.
É quase como se as outras pessoas não existissem, num momento infinito: é a euforia de ser o mundo um playground privado, pronto para ser desvendado, desfrutado, degustado de cada grão de areia a cada sopro de vento - the ultimate adventureland!
É divertido desfazer-se das horas... Dormir quando não tem nada acontecendo. Acordar quando o corpo disser que quer. Comer bem pouco, coisas gostosas que não vão fazer mal nenhum, mas só quando a fome disser que precisa. Ler quando a vontade gritar e nem remotamente lembrar que existe televisão, jornal, tragédias... Mergulhar numa nuvem e segui-la por horas a fio. Vigiar a tênue mudança nas cores das paredes à medida que o sol muda de posição na casa. Sentir uma música com 6 sentidos. Escutar atenciosamente o farfalhar nas folhas quando o vento bater, e os segredos mágicos que as conchas guardam. Não se olhar no espelho e só pentear o cabelo pelo prazer que isso der. Sentir-se uma obra de arte, inch by inch. Apaixonar-se pelo desenho de luz que uma fresta na persiana promove. Ficar submerso em água cristalina por horas, sem fim sem tempo, só sentindo na pele a magia do contato. Sentir seda e veludo na pele. Aquecer-se no frio e sentir-se em excelente companhia quando se estiver só. Não dizer nada que não seja verdadeiro e essencial e sonhar livremente... Ser livre, corpo e mente.
"How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each prayer accepted and each wish resigned."
Meus medos e dúvidas não conto nem para um pedaço de papel. Mas eu queria poder pensar, sonhar sem medo. Sem dúvida, sem culpa, sem trauma. Às vezes queria não pensar... nada.


1 comment:
1 é o número perfeito.
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