Wednesday, July 14, 2010

Vivendo em paralelo

Sinto que há algo travando cada palavra minha
Como uma dor por antecipação
Como o medo  da compreensão
Minhas palavras chegam dilaceradas e moribundas

Meus sonhos observo através de um espelho quebrado
Vejo um reino envolto por neblina
O lindo reino plácido que criamos e matamos
Um reino que simplesmente não pode morrer

Fecho os olhos para a dor
Fecho-me para não ver
Porque vejo em todo lugar onde olho
Lembranças vivas em tudo

Sinto-me à beira de um penhasco que me convida
Me chama para o familiar estado imerso e suspenso
Quero cair... e resisto
Quero contemplar essa paisagem e não consigo me afastar

Vivendo paralelamente nesse estado de angústia
Tenho a minha culinária e a família para me ocupar
Tenho um homem que chega cansado do trabalho
E só quer me namorar
Que loucura, penso eu
Que tem assim tanto espaço em mim...

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