Cada nota do piano é um sopro de alegria que se perde
E parece ainda mais difícil do que antes
Ver traz consigo um fardo de tristeza inerente, e solidão.
Como explicar que não há cura para o agora?
Que ele está aqui e não se deve fugir dele?
É necessário vivenciá-lo
E só dói por minha causa, e de mais ninguém.
(Acreditar que alguém não vai mentir é inocência só minha)
Se desatrelar de sonhos e desejos é tarefa árdua
Entretanto, vital
E quem foi que me condicionou a pensar que viver podia ser fácil?
Minhas correntes arrebentadas ainda pesam em mim
Como a dor no membro há pouco tempo amputado
Esse caminho solitário só é capaz de acomodar um
E eu juro, não sabia que o vício da compania podia provocar tanta dor na abstinência, apesar do prazer da auto-suficiência
Eu vi o vinho turvo, amargo e familiar
Como uma estrela cadente, fugaz
Transformar-se em água cristalina, pura e sem sabor - mas a única capaz de saciar.
Foi como se de repente o próprio ar fosse um espelho habitual que, sem aviso, se partiu por completo
E revelou que nunca fora espelho e sim membrana
É como nascer - doloroso e único evento
Traz uma infinidade de possibilidades, exceto uma:
Recolher-se novamente no útero do vinho e ver apenas o espelho e suas sombras
Nada além

No comments:
Post a Comment
Make yourself heard here.
Deixe suas impressões, opiniões, faça perguntas, diga o que quiser ;)